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		<title>BIM em Portugal: Ensaio sobre a necessidade de reflexão</title>
		<link>https://huild.pt/2025/08/05/bim-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Brandão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 09:57:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Huild]]></category>
		<category><![CDATA[Insights]]></category>
		<category><![CDATA[bim]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto o mundo acelera na digitalização da construção, Portugal ainda está a descobrir o potencial do BIM. É tempo de uma reflexão honesta sobre onde estamos e para onde vamos. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-elementor-type="wp-post" data-elementor-id="16440" class="elementor elementor-16440">
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									<p>Enquanto o mundo acelera na digitalização da construção, Portugal ainda está a descobrir o potencial do BIM. É tempo de uma reflexão honesta sobre onde estamos e para onde vamos.</p>
<p>Esta não é a primeira vez que Portugal chega tarde a uma revolução. Tal como o Barroco, ou qualquer outro estilo ou movimento ligado à construção, que chegou a Portugal mais tarde do que no resto da Europa também o BIM encontra em território nacional um ritmo próprio de adoção, nem sempre alinhado com as tendências internacionais.</p>
<p>Com um mercado global de software BIM avaliado em 9,665 milhões de dólares em 2021, esperado a crescer numa taxa composta anual de 16,33%, atingindo 23,950 milhões de dólares em 2027, a metodologia BIM deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade económica incontornável.</p>
<p><strong>Metodologia BIM no Mundo: Uma corrida em que chegámos novamente atrasados</strong></p>
<p>Os números são reveladores. No Reino Unido, estatísticas do NBS mostram que em 2020, <strong>73% das empresas estavam familiarizadas com BIM e utilizavam a tecnologia nos seus projetos, comparado com apenas 13% em 2011</strong>. Esta evolução dramática demonstra como uma década pode transformar completamente um sector.</p>
<p>A adoção global tem sido impulsionada por fatores específicos. Com a urbanização a atingir novos patamares e as cidades inteligentes a ganharem impulso, países em todo o mundo começaram a prestar mais atenção à sua adoção.</p>
<p>Enquanto isso, na Europa, a digitalização no sector da construção está a ser adotada de forma lenta, mas constante, com a adoção de BIM entre arquitetos europeus a continuar a crescer, embora a um ritmo mais baixo.<br /><br />Senão vejamos o caso da China onde Shangai já possui um Virtual Twin (Gêmeo Digital) onde todos os edifícios podem ser analisados e as ruas possuem indicadores de transito em tempo real. As possibilidades que tal nível de tecnologia nos permite perceber e interagir é digno de Ficção Científica.</p>
<p><strong>Regulamentação: O Esforço de Portugal vs Referências Mundiais</strong></p>
<p>Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 10/2024 simplifica o licenciamento urbanístico e acelera a digitalização da construção através do BIM, representando um marco importante na nossa jornada digital.</p>
<p>Este decreto insere-se numa estratégia mais ampla de modernização administrativa, mas quando comparamos com outros países, o hiato torna-se evidente. Enquanto Singapura processa aprovações automáticas através de plataformas digitais há anos, e outros países nórdicos implementaram mandatos governamentais robustos, Portugal está agora a dar os primeiros passos estruturados, ainda sem sinais evidentes de que a plataforma única de admissão de projetos fique disponibilizada a tempo de cumprir com a obrigatoriedade geral de adoção BIM em Portugal.</p>
<p><br />Para alguém que pertence a uma equipa que trabalha para todo o território nacional, este tipo de plataforma retiraria um conjunto dores a cada início de projeto, o que se traduz diretamente em equilíbrio emocional para conseguirmos dedicar tempo ao que realmente importa, o projeto.</p>
<p>O trabalho da Comissão Técnica 197 na normalização de sistemas de classificação e modelação BIM é reconhecido, mas a realidade é que estamos numa fase de recuperação face aos líderes mundiais e a pressão aumenta a cada dia que passa.</p>
<p> </p>
<p><strong>A Realidade dos Privados: Entre Pioneiros e Resistentes</strong></p>
<p>Na minha experiência com o sector, observo uma dicotomia interessante. Escritórios pioneiros que abraçaram a metodologia BIM relatam melhorias significativas na colaboração multidisciplinar e maior precisão nos projetos. Paralelamente, persiste uma resistência cultural considerável, frequentemente justificada por preocupações com custos de implementação.</p>
<p>Embora se perceba a resistência, a mesma parece ser contraproducente. A transformação observada no Reino Unido, onde em apenas uma década se passou de 13% para 73% de adoção, demonstra que a mudança, quando acontece, pode ser rápida e abrangente.</p>
<p>O custo de oportunidade de não adotar torna-se cada vez mais evidente. Cada projeto entregue sem BIM representa uma oportunidade perdida de otimização, uma lição não aprendida, um passo atrás na curva de aprendizagem necessária para competir globalmente.</p>
<p> </p>
<p><strong>A Revolução Silenciosa: Desafios que Estão a Ser Resolvidos</strong></p>
<p>A indústria global tem vindo a resolver problemas que durante décadas considerámos &#8220;normais&#8221;: deteção automática de conflitos, simulação temporal e de custos integrada, gestão do ciclo de vida de ativos.</p>
<p>Uma tendência particularmente relevante para Portugal é a democratização do acesso através de soluções open source. Eliminando as barreiras tradicionais de custo do software proprietário, estas soluções permitem que pequenos escritórios experimentem BIM sem investimentos proibitivos. As software houses que atuam no mercado já disponibilizam ferramentas a preços competitivos e extremamente eficazes, acontece que nem todas possuem os mesmos mecanismos de marketing e como tal nem sempre se torna evidente ao comum utilizador que existem alternativas e soluções acessíveis.</p>
<p>Está amplamente difundida a utilização de ferramentas BIM no que toca à modelação e controlo de informação do modelo. Contudo, temos de dar os próximos passos na adoção da simulação 4D, que permite integrar a dimensão temporal no planeamento, a modelação 5D, que incorpora custos em tempo real, revolucionando a gestão orçamental, o controlo 6D, onde as gestões dos inputs sustentáveis são ponderadas, e a gestão operacional do edificado, por forma a conseguirmos seguir a gestão de edifício até ao fim de vida útil. Estas capacidades não são ficção científica &#8211; são realidades implementadas diariamente em projetos internacionais. Por cá este tipo de tecnologia é possível de ser implementada de forma transversal, mas segundo parece, apenas as grandes construtoras e outros players isolados reconheceram as mais valias desse investimento.</p>
<p><strong>O Barroco Digital que Podemos Construir</strong></p>
<p>Tal como o Barroco floresceu em Portugal com características próprias, adaptando-se ao contexto nacional sem perder a sua essência, também o BIM pode encontrar em Portugal um terreno fértil para inovação, desde que abandonemos a postura meramente reativa.</p>
<p>Portugal reúne condições excecionais para dar este salto: profissionais qualificados, empresas com experiência internacional consolidada, e agora um enquadramento regulamentar emergente. Falta-nos perceber a urgência que a cada dia que passa é uma oportunidade perdida para abraçar o desafio.</p>
<p>A metodologia BIM transcende software ou compliance regulamentar. Trata-se de reimaginar como construímos, como colaboramos, como estruturamos projetos desde o programa base até ao fim de vida útil. É sobre transformar dados em decisões informadas e eficiência operacional em vantagem competitiva sustentável.</p>
<p>Com previsões de crescimento na ordem dos 16,33% anuais no mercado global, a questão não é se vamos adotar BIM &#8211; os mandatos e a pressão competitiva garantem que vamos. A questão fundamental é se vamos liderar esta transformação ou ser arrastados por ela.</p>
<p><strong>Qual tem sido a vossa experiência com BIM? <br />Que barreiras identificam nas vossas organizações? <br />É tempo de construirmos este futuro em conjunto.</strong></p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<ul>
<li>Building and Construction Authority, Singapore. CORENET X Platform</li>
<li>NBS (National Building Specification), Reino Unido. BIM Report 2020</li>
<li>PlanRadar. (2023). BIM adoption in Europe: 7 countries compared. Disponível em: https://www.planradar.com/gb/bim-adoption-in-europe/</li>
<li>Pinnacle Infotech. (2025). Global BIM Adoption in 2025 and Beyond. Disponível em: https://pinnacleinfotech.com/global-bim-adoption/</li>
<li>República Portuguesa. (2024). Decreto-Lei n.º 10/2024, de 8 de janeiro. Diário da República. Disponível em: https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/10-2024-836222484</li>
<li>Visit Portugal. Discovering the baroque in Portugal. Disponível em: <a href="https://www.visitportugal.com/en/content/discovering-the-baroque-in-portugal">https://www.visitportugal.com/en/content/discovering-the-baroque-in-portugal</a></li>
</ul>
<p><a href="https://www.visitportugal.com/en/content/discovering-the-baroque-in-portugal"> </a></p>								</div>
				</div>
					</div>
				</div>
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		<title>Habitação de Interesse Social: Conheça o Setor</title>
		<link>https://huild.pt/2025/08/05/habitacao-de-interesse-social/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Brandão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 09:35:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Huild]]></category>
		<category><![CDATA[Insights]]></category>
		<category><![CDATA[buildingsolutions]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[habitaçãosocial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No contexto de crescente pressão sobre o mercado imobiliário e do desafio do envelhecimento e da desertificação urbana, as soluções de Habitação de Interesse Social (HIS) assumem um papel vital [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p></p>
<p class="wp-block-paragraph" data-start="99" data-end="429">No contexto de <a href="https://cnnportugal.iol.pt/casas/habitacao/crise-da-habitacao-nao-afeta-apenas-portugal-conheca-as-medidas-que-estao-a-ser-seguidas-em-10-paises-com-o-mesmo-problema/20250801/6882509dd34ef72ee448b15f">crescente pressão sobre o mercado imobiliário</a> e do desafio do envelhecimento e da desertificação urbana, as soluções de Habitação de Interesse Social (HIS) assumem um papel vital na coesão demográfica e no equilíbrio urbano. Apresentamos quatro tipologias que marcam tendências inovadoras e humanizadas neste setor.</p>
<h6 data-start="436" data-end="476">Habitações a Custos Controlados</h6>
<p data-start="436" data-end="476">Destinadas a famílias de rendimentos intermédios que não podem recorrer ao mercado livre nem se enquadram nos programas de habitação social tradicional, estas habitações apresentam:</p>
<ul data-start="660" data-end="975">
<li data-start="660" data-end="799">
<p data-start="662" data-end="799"><strong data-start="662" data-end="693">Regulação pública de preços</strong><br data-start="693" data-end="696" />Rendas e valores de venda abaixo dos parâmetros de mercado, definidos por entidades governamentais;</p>
</li>
<li data-start="801" data-end="975">
<p data-start="803" data-end="975"><strong data-start="803" data-end="832">Foco no equilíbrio urbano</strong><br data-start="832" data-end="835" />Incentivo à fixação de população ativa em zonas afetadas pela desertificação ou envelhecimento, promovendo o rejuvenescimento demográfico.</p>
</li>
</ul>
<h6 data-start="982" data-end="1018">Habitações Intergeracionais</h6>
<p data-start="1019" data-end="1147">Com o objetivo de fomentar a solidariedade entre gerações, reúnem jovens, famílias e seniores num mesmo espaço. Destacam-se por:</p>
<ul data-start="1149" data-end="1519">
<li data-start="1149" data-end="1356">
<p data-start="1151" data-end="1356"><strong data-start="1151" data-end="1182">Cohabitação multigeracional</strong><br data-start="1182" data-end="1185" />Vizinhos de várias idades partilham recursos e experiências, reforçando o apoio mútuo – desde ajuda no cuidado de crianças até à redução do isolamento dos mais velhos;</p>
</li>
<li data-start="1358" data-end="1519">
<p data-start="1360" data-end="1519"><strong data-start="1360" data-end="1385">Arquitetura inclusiva</strong><br data-start="1385" data-end="1388" />Espaços comuns desenhados com acessibilidades universais, zonas de convívio e áreas de lazer adaptadas a todas as faixas etárias.</p>
</li>
</ul>
<h6 data-start="1526" data-end="1571">Habitações Colaborativas (Cohousing)</h6>
<p data-start="1572" data-end="1695">Este modelo, centrado na autogestão pelos próprios residentes, privilegia a economia de recursos e o sentido de comunidade:</p>
<ul data-start="1697" data-end="2120">
<li data-start="1697" data-end="1838">
<p data-start="1699" data-end="1838"><strong data-start="1699" data-end="1721">Gestão participada</strong><br data-start="1721" data-end="1724" />Decisões sobre manutenção, regulamentação interna e uso dos espaços são tomadas coletivamente pelos moradores;</p>
</li>
<li data-start="1840" data-end="1969">
<p data-start="1842" data-end="1969"><strong data-start="1842" data-end="1871">Sustentabilidade integral</strong><br data-start="1871" data-end="1874" />Partilha de equipamentos, compras em grupo e práticas de eficiência energética e ambiental;</p>
</li>
<li data-start="1971" data-end="2120">
<p data-start="1973" data-end="2120"><strong data-start="1973" data-end="2006">Criação de laços comunitários</strong><br data-start="2006" data-end="2009" />Cozinha comum, hortas, oficinas e jardins incentivam a convivência ativa e reforçam o sentimento de pertença.</p>
</li>
</ul>
<p></p>
<p class="wp-block-paragraph">Com vasta experiência no mercado, a Huild® apoia todas as fases do seu projeto de Habitação de Interesse Social — <a href="http://www.huild.pt/solucoes">desde o desenho inicial até à gestão e manutenção.</a></p>
<p><br data-start="2386" data-end="2389" />Quer saber como podemos ajudar a tornar o seu empreendimento uma referência em inovação social e sustentabilidade? <strong data-start="2504" data-end="2520"><a href="mailto:hello@huild.pt">Contacte-nos</a></strong> e descubra as soluções Huild® para um futuro mais inclusivo.</p>
<p></p><p>The post <a href="https://huild.pt/2025/08/05/habitacao-de-interesse-social/">Habitação de Interesse Social: Conheça o Setor</a> first appeared on <a href="https://huild.pt">Huild</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cidades Sustentáveis: Soluções Baseadas na Natureza</title>
		<link>https://huild.pt/2025/05/09/cidades-sustentaveis-solucoes-baseadas-na-natureza/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Denise Campos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 May 2025 08:41:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Huild]]></category>
		<category><![CDATA[Insights]]></category>
		<category><![CDATA[building solutions]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Artigo por, Ana Mesquita, Arquiteta Paisagista e membro da direção da Associação Nacional de Coberturas Verdes (ANCV) Quando se fala em sustentabilidade, o pensamento comum tende a fixar-se em imagens [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Artigo por, <strong>Ana Mesquita</strong>, Arquiteta Paisagista e membro da direção da <a href="https://www.greenroofs.pt/" target="_blank" rel="noopener" title="">Associação Nacional de Coberturas Verdes</a> (ANCV)</p>



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</div>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se fala em sustentabilidade, o pensamento comum tende a fixar-se em imagens de painéis solares, carros elétricos ou na prática da reciclagem. Tudo isso é necessário, mas não é suficiente. O que muitas vezes não nos é evidente, talvez porque fomos habituados a separar o natural do urbano, é que <strong>não há sustentabilidade possível sem natureza</strong>. E, mais do que isso, sem natureza próxima das pessoas. <strong>Sustentabilidade urbana não se faz só com tecnologia, faz-se também com raízes, folhas, solos vivos e cursos de água que voltam a correr a céu aberto</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É exatamente isso que nos pede o <strong>Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11</strong>, promovido pelas Nações Unidas: <strong>transformar as cidades em espaços inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis</strong>. Um objetivo ambicioso e urgente. <strong>Em 2050, mais de dois terços da população mundial viverá em áreas urbanas</strong>. <strong>E se estas continuarem a ser moldadas como foram nas últimas décadas</strong>, dominadas por superfícies impermeáveis, vulneráveis a extremos climáticos e marcadas por desigualdades sociais, <strong>estaremos a comprometer, sem hesitação, o bem-estar e a segurança das gerações futuras</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste cenário, o caminho são as <strong>Soluções Baseadas na Natureza</strong> (NbS). Trata-se de uma <strong>abordagem alternativa, mais integrada e regeneradora, que contrasta com a visão convencional da engenharia urbana estática: rígida, cara, dependente de manutenção pesada, e que muitas vezes tem conduzido cidades ao limiar da inabitabilidade</strong>. As NbS propõem algo aparentemente simples, mas transformador: usar os processos e estruturas da própria natureza para enfrentar os desafios urbanos. Significa pensar a vegetação e a água como infraestruturas funcionais no desenho dos edifícios e planeamento das cidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, isto traduz-se em <strong>soluções como coberturas e paredes verdes</strong>, que isolam termicamente os edifícios e regulam o escoamento das águas pluviais; <strong>parques e jardins</strong> urbanos, que combatem as ilhas de calor e devolvem o espaço público às comunidades; <strong>charcas e zonas húmidas</strong>, que absorvem e retardam os caudais em caso de chuva intensa; ou <strong>SUDS </strong>(sistemas urbanos de drenagem sustentável), que substituem o betão por soluções que permitem infiltrar a água. Além da componente ambiental, <strong>estas soluções têm um impacto direto na justiça social urbana: promovem a saúde pública, fortalecem a coesão comunitária e democratizam o acesso à qualidade de vida</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este entendimento começa a ganhar força a nível europeu. <strong>A aprovação, em 2023, da Nature Restoration Law foi um marco nesse sentido</strong>. <strong>Esta lei impõe metas vinculativas para a restauração de ecossistemas degradados, também nos contextos urbanos</strong>, e responde à alarmante realidade de que mais de 80% dos habitats naturais da UE se encontram em mau estado. <strong>Pela primeira vez, é obrigatório restaurar a natureza nas cidades, recuperar solos e reconectar corredores ecológicos. Esta lei enfrenta oposição de setores mais conservadores, mas representa uma mudança clara: reintegrar as zonas urbanas no ciclo ecológico e trazer a natureza de volta a estes espaços</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas cidades europeias têm antecipado este caminho. <strong>Roterdão </strong>e <strong>Copenhaga </strong>estão na linha da frente ao implementarem infraestruturas verdes e azuis para lidar com o risco crescente de cheias. <strong>Liubliana </strong>e <strong>Paris </strong>apostaram na reconversão de zonas impermeabilizadas em espaços naturais e renaturalizando as margens dos cursos de água. Também em Portugal há sinais positivos. A distinção de <strong>Lisboa </strong>e <strong>Guimarães </strong>como <strong>Capitais Verdes Europeias</strong>, em 2020 e 2026 respetivamente, mostra um compromisso crescente com políticas de mobilidade sustentável, corredores verdes, recuperação de linhas de água e gestão integrada da paisagem urbana. O Parque Central da Asprela, no <strong>Porto</strong>, é outro <strong>exemplo notável: desenhado como espaço público multifuncional, atua também como infraestrutura de retenção de águas pluviais</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contudo, não nos iludamos: ainda estamos longe de tornar as NbS uma prioridade transversal</strong>. <strong>Em muitos municípios, estas soluções continuam a ser vistas como “acessórios verdes”, úteis, mas secundários</strong>. O urbanismo continua a ser dominado por lógicas imediatistas, centradas no betão e infraestruturas cinzentas. As árvores são plantadas sem espaço, os parques são pensados como elementos de recreio, e não como infraestrutura ecológica. <strong>Falta ainda formação técnica especializada, falta vontade política, e falta sobretudo uma mudança de cultura: valorizar a natureza e os serviços que esta (gratuitamente) nos presta.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como é visível nas cidades portuguesas e como escreveu Maria Dulce Cardoso, “temos aversão ao que é natural e por isso fechamos varandas e cimentamos pátios”. <strong>Perdemos a ligação ao natural e é essa reconexão que o ODS 11 nos exige</strong>. Uma nova cultura urbana, onde a árvore tem espaço para crescer, o pavimento infiltra e o parque é mais do que lazer: é refúgio de biodiversidade, sala de aula ao ar livre e escudo climático.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Investir na natureza urbana é uma necessidade económica, ecológica e social</strong>. Cidades com mais natureza são cidades com menos custos em saúde, menos perdas por cheias, maior coesão social e maior capacidade de adaptação. <strong>Não é uma escolha entre natureza e desenvolvimento: sem natureza, não há desenvolvimento sustentável possível</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p><p>The post <a href="https://huild.pt/2025/05/09/cidades-sustentaveis-solucoes-baseadas-na-natureza/">Cidades Sustentáveis: Soluções Baseadas na Natureza</a> first appeared on <a href="https://huild.pt">Huild</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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